Biodiversidade

Os levantamentos florísticos e fitossociológicos existentes em áreas de remanescentes florestais de Bauru estão quase todos localizados em áreas localizadas na região leste de Bauru, onde se localiza a Área de Proteção Ambiental Campo Novo - Vargem Limpa.

No trabalho, "Estudos Florísticos e Fitossociológicos em Áreas de Vegetação Nativa no município de Bauru", desenvolvido por Osmar Cavassan e Fernando Roberto Martins têm-se informações importantes sobre os estudos já realizados em Bauru até então. O primeiro estudo foi feito por Veloso em 1948 na área do antigo Leprosário Aimorés.

Abaixo, seguem os principais estudos da flora existente na região leste de Bauru e que servem como justificativa à conservação deste importante remanescente florestal.

Estudo Florística e Fitossociologia da vegetação lenhosa em um hectare de cerrado do Parque Ecológico Municipal de Bauru. Trata-se de tese apresentada em 1990 ao Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, pelo Biólogo Osmar Cavassan como parte dos requisitos para a obtenção do título de Doutor em Ciências. Em seus estudos amostraram-se 93 espécies, pertencentes a 39 famílias e 70 gêneros, mais um desconhecido. A seguir temos a lista de espécies amostradas com suas famílias e nomes vulgares.


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Em 1993, Paula Machado de Souza apresentou monografia a Universidade do Sagrado Coração para obtenção do título de Bacharel em Biologia contendo os resultados de suas pesquisas no Parque Ecológico Municipal Tenri, onde identificou as bromeliáceas ali existentes. Abaixo, segue a lista das espécies encontradas:

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Outro estudo interessante e que demonstra a grande biodiversidade das áreas conservadas e as diferentes possibilidades de uso é o "Pelas Trilhas do Jardim Botânico de Bauru", executado pelos pesquisadores Maria Estela Silveira Paschoal e Pedro Leme Corrêa, publicado em 1996 pela EDUSC, a fim de subsidiar um programa de interpretação da natureza do Jardim Botânico Municipal de Bauru onde foi realizado o levantamento das espécies arbustivas e arbóreas encontradas às margens das trilhas já existentes no local, destinadas ao uso público. Identificaram-se 81 espécies pertencentes a 43 famílias, sendo que 4 permanecem com identificação apenas em gênero. Abaixo temos a relação completa das espécies identificadas:




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Porém um dos resultados que mais demonstram a importância da conservação de nossa biodiversidade local são encontrados no estudo elaborado pelo Biólogo Marcelo Henrique Húngaro Pinheiro em sua tese Levantamento Florístico e Fitossociológico da Floresta Estacional Semidecidual do Jardim Botânico Municipal de Bauru, apresentada ao Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, para obtenção do Título de Mestre em Ciências Biológicas na área de Biologia Vegetal.


No levantamento florístico nas áreas de mata mesófila semicaducifólia foram relacionadas 192 espécies, distribuídas em 126 gêneros e 51 famílias. No interior das parcelas foram identificadas 122 espécies, 95 gêneros e 48 famílias, sendo que dos espécimes vegetais coletados nessa fitocenose, 8 foram identificados a nível genérico e um, a nível de família.


Na área de Cerradão foram identificados 139 espécies, 99 gêneros e 52 famílias. Somando-se as espécies encontradas em ambas as fitocenoses, chega-se a 264 espécies . Cerca de 67 espécies foram compartilhadas por ambas as fitocenoses e 73 foram coletadas apenas no Cerradão.


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Na outra Bacia Hidrográfica do município, a do Rio Batalha, temos poucos estudos florísticos e fitossociológicos. A maioria se concentra na área da Estação Ecológica de Bauru – EE Sebastião Aleixo da Silva e nos municípios vizinhos de Agudos e Avaí. Os primeiros estudos na área da Estação Ecológica de Bauru começaram em 1976, realizados por José Carlos Nogueira. Em 1983, Osmar Cavassan, utilizaram o método de quadrantes e identificaram 31 famílias, 55 gêneros e 60 espécies, sendo uma não identificada.

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Remanescentes Florestais


Em Bauru temos poucos remanescentes florestais, mas com alta importância biológica para a conservação. São áreas de floresta estacional, cerrado e mata ripária.

No Estado de São Paulo, de acordo com dados do PROBIO (Programa de Biodiversidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente) restam 280.000 hectares cobertos por vegetação natural de Cerrado, dos quais 25.000 hectares (menos de 10 %) estão protegidos na forma de Unidades de Conservação Estaduais.

As diferentes formações de Cerrado recobriam originalmente cerca de 14% do território paulista. No período de 1971 a 1973, as formações cerradão, cerrado e campo cerrado cobriam, respectivamente, 105.390 hectares (0,42 %), 784.990 hectares (3,16 %) e 148.390 hectares (0,60 %), totalizando 4,18 % do território de São Paulo (SERRA FILHO et al., 1974).

No período 1990 a 1992 passamos a ter 1.933 hectares (0,0077 %) de Campo Cerrado, 73.202 hectares (0,29 %) de Cerradão e 208.586 hectares de Cerrado (0,83 %), totalizando 1,12 % da área total do Estado de São Paulo (SMA, 1993. Inventário Florestal do Estado de São Paulo).

Ou seja, temos hoje menos de 0,29 % de nosso Estado coberto por esta fisionomia floresta, que é o Cerradão, e assim a necessidade urgente de se propor formas de conservação e manejo.

No levantamento efetuado por SERRA FILHO et al. (1974), no período de 1971 a 1973, a região administrativa de Bauru possuía 15.260 hectares de Cerradão, 122.210 hectares de Cerrado, e 4.880 hectares de Campo Cerrado, 39.710 hectares de mata, 37.650 hectares de capoeira e 51.380 hectares de reflorestamento

No levantamento efetuado no período 1990 a 1992 pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a região administrativa de Bauru possuía 11.314 hectares de Cerradão, 30.778 hectares de Cerrado, 50.161 hectares de Mata, 14.502 hectares de capoeira, 5.403 de várzea e 491 hectares não classificados, totalizando uma área de 114.649 hectares de cobertura vegetal, cerca de 3,44 %.

Para o município de Bauru um levantamento realizado em 1988, pelo DEPRN – Departamento Estadual de Recursos Naturais da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, encontrou os seguintes resultados: 1.460 hectares de mata (2,08 %), 703 hectares de capoeira (1%), 606 hectares de Cerrado (0,86 %) e 122 hectares de áreas não classificadas. Dados falhos, mas que mostram uma situação muito delicada.

De acordo com o Censo Agropecuário 95-96 do IBGE, Bauru possui 69 % de suas terras ocupadas com pastagens, 17 % ocupadas com lavouras e apenas 14 % ocupadas com matas e florestas, incluindo as áreas de reflorestamento (Eucalipto e Pinus)

No levantamento efetuado pelo Projeto LUPA da Secretaria de Estado da Agricultura, no período 1995 a 1996 o município de Bauru possui 3.770,50 hectares de vegetação nativa em 171 unidades de produção agropecuária. Possui ainda 43.213,20 de pastagens em 566 unidades de produção agropecuária. Nestes dados e analisando que a área total de Bauru é de 67.937 hectares, temos que resta em Bauru 5,54 % de vegetação nativa. Temos hoje em Bauru 63,60 % de pastagens.

Os remanescentes florestais sofrem com a especulação imobiliária que aumenta a cada ano a pressão pela ocupação de áreas florestadas. Em Bauru temos importantes remanescentes localizados na Zona Sul (Bacias dos Córregos Água da Ressaca e Água da Forquilha), na Zona Leste (Região do Jardim Botânico Municipal), Zona Norte (Área localizada ao lado do Jardim Chapadão). Diversos são os remanescentes da Bacia do Rio Batalha e entre eles podemos citar a Estação Ecológica do Estado e a região denominada Rio Verde.

O Vidágua realizou um levantamento da situação ambiental das Bacias Hidrográficas nas quais o município de Bauru está inserido, Tietê-Batalha e Tietê-Jacaré, através do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), para avaliar as condições da biodiversidade, em especial, as matas ciliares, com a proposição de planos de recuperação ambiental.

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